Tudo o que você precisa saber sobre o Código de Ética dos Administradores

O que é o Código de Ética dos Administradores?

O código de ética do administrador na visão de Platão

Platão interpreta a ética a partir da ideia de que o mal não existe por si só.

Para Platão, o mal é um reflexo imperfeito do real, ou o elemento essencial da realidade.

Em outras palavras, no seu entendimento, a alma é soberana e o ser humano deve usar o intelecto para controlar as emoções.

E, consequentemente, controlar a vontade para atingir a perfeição, ou seja, o mundo perfeito de Deus.

E esse conceito refere-se a tudo aquilo que é CORRETO, perfeito, sem maldade, etc.

Dito isto, podemos afirmar que o código de ética dos administradores é um conjunto de regras, normas e princípios criados para estabelecer aquilo que é considerado perfeito aos administradores.

Veja os Inc. XIV a XVII de artigo 2º de nosso Código de Ética:

Repare que são nestes tipos de condutas proibidas que percebemos a intenção do código em estabelecer as bases do que é o perfeito, ou seja, correto.

 

O código de ética do administrador na visão de Aristóteles

Toda mãe deseja que seu filho se torne uma pessoa “de bem”.

Quantas vezes você ouviu sua mãe dizer que você deveria ser uma pessoa honesta e de bem?

A sociedade sempre fala que você deve estudar, casar-se com uma pessoa boa, ter uma casa e uma família e viver feliz para sempre.

Inclusive esse é o famoso jargão das histórias infantis que “doutrinam” nossas crianças:

…e viveram felizes para sempre

E na visão de Aristóteles a ética é enxergada sob o ponto de vista do que é comum aos homens.

Para ele todo ser humano busca uma coisa só: a felicidade.

Tudo se resume em movimentos racionais pela felicidade, e é isso que iguala os homens.

Todo desenvolvimento intelectual e moral que você busca visa apenas uma coisa: ser feliz.

E o que isso tem a ver com o código de ética do administrador?

Um dos principais objetivos do código de ética dos administradores é garantir que cada profissional tenha o direito de buscar a sua felicidade (no sentido de objetivo).

As regras de conduta visam evitar que você seja atrapalhado por algum profissional antiético.

Dessa forma evita-se que um administrador, buscando a sua “felicidade” a todo custo, atrapalhe outro colega.

A história abaixo é um exemplo claro da situação em questão. Leia com atenção:

 

 

O caso acima demonstra claramente uma conduta antiética de José em relação ao colega Pedro.

Mas, qual artigo do Código de Ética do administrador ele desrespeitou?

Perceba que a vedação está contida no artigo 2º do código:

Art. 2º É vedado ao Profissional de Administração:

XIV – pleitear, para si ou para outrem, emprego, cargo ou função que esteja sendo ocupado por colega, bem como praticar outros atos de concorrência desleal;

Desta forma, se todos respeitarem as condutas éticas descritas no Código, não haverá prejuízo a ninguém.

 

O que é o código de ética do administrador para você

Na página 9, Item III do preâmbulo do Código de Ética do Administrador diz:

Portanto, o que é o código de ética do administrador?

De forma simples, podemos dizer que é um conjunto de regras que definem a forma de um administrador se comportar perante a sociedade e outros administradores.

Nele estão as bases para a noção básica de organização social dos profissionais da área.

O estabelecimento do estado social de direitos e deveres que visam a igualdade, a liberdade e a fraternidade dos administradores.

No código que você entende qual é o seu papel.

E ele está previamente estabelecido e acordado (em tese) pelos profissionais como perfeito ou correto.

Se sua conduta não atender ao que está estabelecido, sofrerá as consequências.

O código é seu guia.

Se tudo fosse permitido e se não houvesse um código de ética entre os homens, o caos reinaria.

 

 

Porque foi criado o código de ética do administrador?

O Maratonista Abel Mutai, participava de uma corrida em Navarra na Espanha, e, na reta final, por algum motivo entendeu que havia cruzado a linha de chegada.

Reduziu o ritmo e começou a cumprimentar o público, acreditando que tinha vencido a prova.

O segundo colocado, o espanhol Ivan Fernandez Anaya, percebendo que Abel Mutai estava equivocado ao parar a 10 metros da linha de chegada, tomou uma decisão incomum.

Reduziu a velocidade, permanecendo em segundo lugar e informou ao queniano que prestasse a atenção pois o fim da corrida ainda não havia chegado.

O queniano foi praticamente empurrado pelo espanhol até a linha de chegada sendo o vencedor.

Esse fato real nos mostra o impacto que uma postura ética e moral tem sobre nossas vidas no dia a dia.

 

Um campeão de mentira nunca será um campeão

“Ainda que tivessem me dito que eu ganharia uma vaga na Seleção espanhola para disputar o Campeonato Europeu, eu não teria me aproveitado.”

Essas foram as palavras do corredor espanhol em entrevista após a corrida.

Ele poderia ter avançado, ultrapassado o queniano e vencido a corrida.

Isso respeitava a regra do jogo. Ele seria o vencedor. Receberia o título.

Ninguém poderia questioná-lo, era a regra do jogo.

Deixar o queniano vencer, porque ele venceria de qualquer maneira se não tivesse se enganado foi uma postura que em sua visão, era moral.

Mas quem disse que Ivan Fernandez Anaya fez o correto?

Ninguém disse, não estava escrito em lugar nenhum, muito menos no regulamento da corrida

O comportamento teve a ver com a origem de Ivan, sua criação, sua educação.

A ética individual do espanhol o impedia de se considerar vencedor de algo que ele sabia que não era.

Com esta atitude, Anaya agradou multidões que pensavam como ele, mas, desagradou a outros, incluindo seu técnico.

E você, o que faria?

 

O Código de Ética e o Administrador

O atleta da história acima agiu conforme regras pessoais internas desenhadas ao longo de sua jornada de vida.

Quando nos tornamos administradores trazemos conosco nossos valores morais familiares, que nem sempre é uniforme e condizente como os valores morais dos outros administradores.

Então, como garantir que todos os profissionais da área se portem de forma digna, ética e respeitando o interesse de outros administradores e da profissão em geral?

Foi exatamente para isso que foi criado o Código de Ética do Administrador.

Afinal, um indivíduo, ou categoria profissional, só será aceito em uma determinada sociedade se tiver ações morais e éticas que correspondem aos padrões daquela sociedade.

Mas como saber o que é certo e errado para o grupo que você quer fazer parte?

Simples, basta que exista uma régua, um medidor, um padrão.

Um código de conduta moral capaz de ser um instrumento para enquadrar, como certo ou errado, os atos de um administrador.

Assim, se os administradores não estabelecessem um código de ética, tudo poderia ser permitido. Não haveria como medir o que correto ou o que é errado.

Ou seja, qualquer conduta, imprópria para mim poderia ser, na verdade, legítima para meu colega administrador.

Isso torna a criação do Código de Ética do Administrador uma peça fundamental para a existência de nossa categoria profissional.

 

Como surgiu o Código de Ética do Administrador

Já sabemos o que é o código de ética do administrador e porque foi criado.

Agora, vamos fazer um breve apanhado histórico de como surgiu nosso código de ética.

O Código de Ética dos Administradores foi criado através da lei 4.769/65, regulamentada pelo Decreto Federal 61. 934/67.

Essa lei dispôs sobre a profissão de administrador e tratou da criação e atuação do CFA e Regionais de Administração.

Além disso, estabeleceu as regras do exercício profissional de administração e as atribuições dos Conselhos.

Uma das atribuições do Conselho Federal de Administração descrita na lei 4.769/65 é a criação e alteração do Código de Ética do Administrador.

 

História do Código de Ética do Administrador

O surgimento do Código está relacionado com a necessidade de orientar a conduta dos profissionais e proceder ao Julgamento de processos, relativos a incorreções.

São mais de 49 anos de Código de Ética.

 

Ao longo desses anos ocorreram muitas mudanças sociais e históricas que influenciaram nas alterações feitas no Código de Ética do Administrador.

Portanto, abordaremos a seguir as principais mudanças que ocorreram no texto, que trazem aspectos importantes da evolução do Código de Ética do Administrador.

 

Quando surgiu o primeiro Código de Ética do Administrador? O Código de 1969.

A primeira versão se chamava: Código de Ética dos Técnicos de Administração e foi criada em 27 de Novembro de 1969, através da resolução 43/69.

Dezesseis anos depois, em 1985 através da Lei 7.321, substituiu-se “Técnicos de Administração” por “Administradores”.

Outras alterações foram feitas no Código de Ética do Administrador em 1979, 1992, 2001, 2008, 2010 e 2018.

A primeira versão do texto mostrava a necessidade da profissão de Técnico de Administração refletir os padrões éticos e morais que estavam presentes na sociedade da época.

Possuía apenas três páginas e quatro artigos o Código de Ética, que traziam as primeiras determinações ao profissionais registrados.

Portanto, tinha o objetivo de regular a conduta moral e profissional e indicar normas para a atividade profissional e para as relações dos administradores entre si e com a sociedade.

A relação de “obediência” ou sujeição do administrador ao sistema CFA/CRA era citada de forma clara.

Três formas de punição no caso de descumprimentos das determinações do Código foram citados:

  • a advertência;
  • a suspensão;
  • e o cancelamento da inscrição e registro no Conselho.

 

Atualização do Código de Ética do Administrador em 1979

Em 1979 ocorreram mudanças na estrutura do documento tornando-o mais organizado.

O Código de ética do Administrador foi dividido nos seguintes capítulos:

  • do objeto,
  • dos deveres,
  • das proibições,
  • dos honorários profissionais,
  • dos deveres especiais em relação aos colegas,
  • dos deveres especiais e relação à classe e
  • disposições finais.

Duas mudanças importantes ocorreram na versão de 1979, a inclusão dos honorários da profissão e a exigência da identificação do número de registro após a assinatura.

As penalidades foram remodeladas e agora se dividiam em:

  • advertência escrita;
  • advertência reservada;
  • censura pública;
  • censura na residência específica;
  • multas;
  • suspensão do exercício da profissão por tempo não superior a 90 dias prorrogável por igual período se persistirem as condições motivadoras;
  • e o cancelamento do registro com a divulgação do ato para conhecimento de terceiros.

 

Atualização do Código de Ética do Administrador em 1992

Feita através da Resolução 128/92, com a intensão de refletir sobre o novo papel do Administrador no processo de desenvolvimento do país.

A alteração de 1992 traz o conceito de ética que permanece o mesmo na atual alteração de 2018.

Como surgiu o codigo de etica 1

Destaca a importância dessa busca com enfoque social e profissional.

No âmbito profissional deveriam ser levadas em conta as relações com o cliente e com os demais envolvidos.

Enquanto que no âmbito social, o Código citava elementos como o bem comum, valores e função social da organização.

Desta forma, além da temática da relação profissional dos códigos anteriores, aborda o papel do administrador na sociedade.

Nessa versão surge o capítulo dos direitos, e as normas procedimentais do processo ético.

As sanções disciplinares ganham um capítulo próprio e as disposições sobre os Tribunais de Ética dos Administradores foram ampliadas.

Agora, as normas procedimentais se assemelharam ainda mais ao processo jurídico.

Atualização do Código de Ética do Administrador em 2008

O código se direciona ao desenvolvimento, estimulando que o administrador amplie sua capacidade de pensar, de visualizar seu papel e tornar sua ação mais eficaz para a sociedade.

O administrador perde o papel de agente social inserido na versão anterior.

O código confirma seu caráter regulador tratando das questões referentes à relação entre os administradores e do sistema CFA/CRAs.

Ele também traz uma divisão entre o Código de Ética propriamente dito e o Regulamento do Processo Ético do Sistema CFA/CRAs.

 

Atualização do Código de Ética do Administrador em 2010

Aprovada pela Resolução 393/10, possuía o mesmo conteúdo da versão anterior, porém, com a alteração na nomenclatura dos administradores que passaram a ser chamados de “profissionais da administração”.

Abrangndo tanto os bacharéis em administração quanto os técnicos e tecnólogos.

 

Atualização do Código de Ética do Administrador em 2018

A versão atual do Código de Ética dos Administradores é recente.

Foi publicada em 22 de Março de 2018 pela Resolução Normativa CFA nº 537.

Nessa edição ocorreram muitas mudanças nos deveres de conduta dos profissionais de Administração com a intensão de atender às demandas da atualidade.

Também ocorreram alterações no que diz respeito às infrações e aos prazos processuais para uma maior celeridade dos processos.

Além disso, foram criadas as Comissões Permanente de Ética e Disciplina no CFA e CRAs para julgar os processos éticos.

 

E quanto a quem criou o Código de Ética do Administrador?

 

Praticamente nenhuma informação sobre os criadores do Código de Ética do Administrador está disponível.

Nossa equipe de redatores até solicitou as informações ao CFA, mas, NADA… (continuamos esperando…).

Queríamos informações como: nomes, formação, atuação profissional, experiência profissional, histórico ético e moral e etc.

Mas, já que não foi possível ter acesso à essas informações, levantamos outros questionamentos em relação aos criadores do Código de Ética do Administrador.

 

O que eu deveria saber sobre quem criou o código de ética do administrador?

 

1. Se são administradores.

O Código de Ética dos Administradores, foi feito pra administradores e é interessante que tenha sido pensado, formulado e aprovado por administradores.

Afinal, os únicos que saberão suas necessidades e o delicado equilíbrio de suas relações interpessoais são os próprios envolvidos.

 

2. Se são pessoas éticas e responsáveis

Ninguém aceitaria um código de ética feito por pessoas sabidamente antiéticas ou de má reputação.

Rapidamente esse Código de Ética estaria fadado ao fracasso porque questionamentos viriam de todos os lados, e com razão.

Afinal, não dá para ter as diretrizes éticas do convívio e posturas da profissão decididos por pessoas nas quais não confiamos.

 

3. Se são autoridades constituídas pelos administradores

Não importa o quão honesta, ética e profissional seja uma pessoa, se ela não for uma autoridade no meio dos administradores dificilmente terá voz ativa para definir o Código de Ética.

O que nos leva a outra questão, o nível de autoridade que eles possuíam diante da classe.

Que a opinião de todo os administradores deveria ser ouvida, isso é fato.

Quando foi instituído o primeiro Código de Ética dos administradores, era mais complicado consultar a opinião dos profissionais da área.

Mas com a tecnologia presente hoje essa tarefa se tornou muito mais fácil.

Consulta online, votação, não importa, os profissionais registrados nos CRAs deveriam ser consultados sobre as mudanças a serem feitas no Código de Ética do Administrador.

Para isso os representantes reconhecidos da categoria deveriam iniciar o processo de consulta.

A responsabilidade de criar ou alterar o Código de Ética do Administrador estará sempre nas mãos de autoridades votadas/escolhidas pelos próprios administradores.

Isso nos chama a atenção para a seriedade das eleições para a definição dos representantes dos CFA/CRA.

4. Se conhecem a realidade do mundo da administração.

Não há como definir comportamentos e diretrizes para o exercício da profissão sem conhecer a realidade em que os profissionais estão inseridos.

Esse é um dos fatores pelos quais a consulta aos profissionais de administração é fundamental.

As mudanças ocorrem em velocidades cada vez maiores na sociedade, e assim como qualquer outro conceito, o conceito de ética também deve ser reavaliado.

Isso não significa abrir mão de tudo o que se considera ético e bom.

As diretrizes éticas da profissão precisam ser revistas com a finalidade de atender as complexas demandas de uma sociedade em constante transformação.

 

5. O que motivou a alteração o código

Alguns pensamentos que embasam a noção ou o conceito de ética são filosóficos.

Independente disso, a ideia central das mudanças feitas no código de ética do administrador foi atualizar os deveres de conduta dos profissionais de Administração para atender as exigências da atualidade.

E por esse motivo, segundo o site do CFA, cerca de 90% do Código foi alterado na versão de 2018.

Ainda há outras duas perguntas importantes sobre quem criou o código de ética dos administradores:

  • Eles cumprem o que escreveram?
  • Como que eles pensaram em supervisionar se esses códigos estão mesmo sendo cumpridos?

É claro que todos querem que o código de ética seja cumprido por TODOS os profissionais de nossa categoria.

E que esse código de ética não exista apenas no papel.

Para isso, nossa responsabilidade diária é seguir o determinado no código de ética do administrador e fiscalizar se nossos representantes e colegas de classe fazem o mesmo.

Devemos fiscalizar as ações dos representantes de CFA/CRA para que eles também atendam as regras de nosso código de ética.

Acompanhar de perto suas deliberações, as lutas em nome da classe, a que objetivos defendem e a que custo lutam por eles.

E para termos um mercado competitivo, mas, íntegro e ético, devemos denunciar qualquer comportamento ou estratégia que esteja em conflito com o código de ética.

Devemos pôr em prática diariamente dois valores que se relacionam com a ética, foco desse artigo:

Valor da confiança – quando a certeza que você tem é o comportamento de alguém.

Quando confiança refere-se ao comportamento de alguém, ela se torna um valor ético.

É a certeza de que alguém agirá de determinada forma ou cumprirá determinado combinado que define o valor de confiança.

E isso se repete em todas as relações, quer sejam profissionais, sociais, amorosas e etc.

Afinal, quando você vai viajar de avião, ao embarcar, você pede a comprovação da qualificação do piloto e sua tripulação?

Não. Você confia que se eles são qualificados para desempenhar a função deles.

Da mesma forma, confiamos que os criadores do código de ética do administrador e todos os administradores que exercem a profissão atendam as diretrizes do Código.

Valor da verdade – quando presuma-se que a informação ou situação exposta seja verdadeira.

Na RN CFA Nº 04/79 encontramos a informação de que o Código de Ética do Administrador visava regular a conduta moral e profissional e
indicar normas que deveriam inspirar o exercício das atividades profissionais.

A alteração ao código feita em 2018, descreve que o cumprimento das finalidades institucionais do CFA inclui o permanente zelo com a conduta dos profissionais inscritos nos quadros dos CRAs.

Baseados nessas afirmações e no princípio da verdade, os administradores podem então cumprir as diretrizes de seu código de ética e fazer valer o seu dever de fiscalização e denúncia em caso de desvios.

Dessa forma a profissão é valorizada e respeitada e o mercado de trabalho se torna mais justo para todos os profissionais da área.

 

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